Feliz Novembro…!

Novembro é um mês que representa um bocado a nossa saída da luz para as sombras, começamos com o dia em que celebramos quem partiu desta para outra dimensão, e porque celebrar os que partem? Já pensaram sobre isto? Parece tétrico, mas no fundo é algo bem simples e de uma profundidade tremenda, que é perceber a finitude da vida.

Andamos a viver como se tudo fosse para sempre, não paramos para ver que o solo e a água estão a se esvair entre os nossos dedos pelo uso abusivo que fazemos da nossa Terra, e digo tudo na terceira pessoa do plural porque se compramos alimentos e roupas feitas de maneira pouco ecológica ou abusiva com as pessoas somos incentivadores da continuação deste sistema, ou seja, andamos aqui a falar de espiritualidade, de ser bom e cade a consciência na hora de comprar produtos feitos de maneira a proteger e cuidar da natureza?!?

Chico Xavier usava a frase do “tudo passa”, e é fato, tudo nesta vida passa então não é hora de viver isto de forma mais responsável e digna? O que vamos deixar para os filhos dos nossos filhos? Qual o nosso legado para as gerações futuras? O que faço eu hoje que pode mudar isto ou melhorar isto?

Muitas perguntas para se pensar, e é aqui que entra o período que começamos hoje, precisamos entrar em nós mesmos e perceber quais as nossas motivações para viver ou morrer. Andamos a fazer escolhas baseadas em que sombras, a sombra do medo, a sombra da escassez, a sombra da ira, a sombra da raiva, a sombra do desamor, qual a sombra que anda a fundamentar as suas escolhas?

Novembro começa com uma lição de humildade: do pó viemos e para ele voltaremos. Então orgulho do quê, medo do quê, ganância para quê… repensa a vida, repensa as prioridades, e começa a fazer um trabalho interno de ser, de fé, de amor, de desapego, de atitude para a vida e pela vida. Chega de escolhas pelo medo ou pela raiva, porque estas escolhas nos levam por caminhos escuros, doloridos e no final o resultado pode até vir a ser “positivo”: acumulou-se bens e dores. Claro que cada um sabe de si, mas é mesmo isto que se quer?

Todos nos lembramos da história do Bambi, que celebra o ciclo da vida de uma forma muito intensa.
Todos nos lembramos da história do Bambi, que celebra o ciclo da vida de uma forma muito intensa.

Há uns anos comecei a atender pessoas que estavam em fase terminal da vida, e como terapeuta procurei saber mais sobre o assunto para as poder ajudar, para dar o meu melhor para aquelas pessoas e os seus familiares, então li alguns livros de uma médica, que já morreu, Dra. Elisabeth Kluber Ross e que era especialista em doentes terminais e os relatos dela foram importantes para perceber que de fato temos ao longo da vida muitas escolhas que são feitas e nem sempre os alicerces das mesmas são os melhores. O que aprendemos aqui é que estar consciente sobre o que nos motiva é fundamental para a vida.

Não tenhamos aqui ideias ilusórias de que a vida é um mar de rosas porque não é de todo e graças a Deus, porque se assim fosse aprenderíamos o quê? Viver é um desafio constante, é um aprender diário, é um montar e desmontar mil vezes do mesmo. Por vezes parece que andamos as voltas e ao bem da verdade é que estamos mesmo, só que a cada volta vamos mais fundo no mesmo assunto. Se tem que aprender sobre a aceitação terá mil e um situação onde terá que lidar com pessoas complicadas, com desafetos ou ideias “diferentes”, e não pense que isto muda… só muda quando aprendemos o que tiver que ser, agora a nossa atitude pode mudar e com isto as situações passam a ter menos peso, menos dor… mudam-se as relações e as vibrações. Mudando isto muda o percurso todo, quer um exemplo disto? Nelson Mandela quando saiu da prisão disse que se não deixasse o ódio lá atrás, estaria preso a ela. Algo assim, quando aprendemos podemos deixar ir seja o que for, seja quem for. E assim é com os que partem da nossa vida, precisamos de os honrar, mas também de os deixar ir.

Independente da fé que vive ou professa, todas partem do pó e voltam ao pó, caso para dizer: viva mais, faça mais e se tiver medo, vai com medo mesmo porque o medo também vai passar um dia!

Não sabe por onde começar a sua mudança? Não tem “forças” para tomar atitudes? Comece devagar, só por hoje não reclame e agradeça. Só por hoje não responda ao quizilento, ao dono da razão, deixa-o estar com a razão e quizila dele, vai ver que terá um sentimento de paz que vai valer a pena ter olhado para aquilo e pensar, não tem haver comigo, esta pessoa está a brigar com ela mesma, só me usa como reflexo e escolhe não servir mais a este propósito. E assim cada dia um pouco todos chegamos lá. E ainda sempre pode procurar ajuda de um terapeuta, de uma pessoa sábia, de alguém que reconheça sua capacidade de o ajudar.

Hoje cada vez mais procuro honrar a vida e os que me antecederam vivendo cada dia melhor, tirando partido de tudo o que posso para ser feliz e fazer o bem, e não pense que é fácil, mas é uma escolha. E escolho ser feliz todos os dias, mesmo quando estou triste ou cansada, ainda assim escolho ser feliz e vou lá descansar um bocado, que logo passa.

Um feliz novembro, um feliz retorno a si mesmo, e que as sombras nunca sejam maiores que a sua própria luz!

Jaqueline Reyes

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