Coach Carreira: Para ti, que me vês como Mulher

Este mês, eu podia vir falar-vos das Mulheres. De todas, de algumas, daquela Mulher especial. Podia falar-vos da minha mãe, da milha filha, de mim, da minha melhor amiga. Daquela mulher que me quer bem e me estima e protege e daquela que me deita abaixo e me denigre.

Podia falar-vos daquela professora que fez a diferença, daquela vizinha que estava sempre lá para ajudar, daquela amiga da minha avó que me abraçava sempre que me via.

Podia falar-vos de Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa que foi vítima de um atentado por defender o seu direito a ir à escola. Ou de Theresa Kachimdamoto, que anulou centenas  de casamentos forçados e lutou contra a abolição de rituais que iniciam crianças sexualmente.

Podia falar-te da bravura de Amelia Earhart, a primeira mulher a voou sozinha sobre o Oceano Atlântico.

Podia falar-vos dos tantos papéis que desempenhamos na sociedade, aqueles que queremos ter e aqueles que somos forçadas a ter. Do ser a melhor mãe, a melhor amiga, a melhor filha, a melhor profissional. A mais elegante, a mais promissora, a mais bonita, a mais inteligente. A mais informada, a mais bem formada, a mais polida, a mais bem penteada, a mais poliglota, a mais, a mais, a mais

Cada vez mais, no meu dia-a-dia como mulher e como Coach, sinto que as mulheres estão fartas da pressão do Mais. Querem paz, querem poder libertar-se de estereótipos, preconceitos e lugares-comuns. Querem poder acordar desgrenhadas e sentir que está tudo bem. Querem usar vestidos com calçado desportivo em vez de um fato masculinizado e saltos altos sem o perigo de ser conotada por “pouco profissional”. Querem sair do trabalho à sua hora, não para ir a correr buscar os filhos à escola mas para se sentarem num banco de jardim, absorver um pouco de sol e sentirem que está mesmo tudo bem.

Nós, mulheres, temos mesmo de parar. Temos de contrariar as estatísticas de cada vez morrermos mais por doenças relacionadas com o stress. De cada vez mais mulheres se refugiarem no álcool, drogas e outros vícios porque não conseguem ser Mais.

Este mês, eu podia vir falar-vos das Mulheres. Mas são os homens que pretendo homenagear este mês. Os homens que são verdadeiros companheiros, que não precisam de dizer que são feministas porque na realidade não querem saber das diferenças entre homens e mulheres. Os homens que nos complementam e compreendem. Aquele marido que fica em casa a tomar conta dos filhos quando adoecem porque a sua profissão não é mais nem menos importante do que a da sua mulher. O homem que combate contra as desigualdades salariais entre ambos os sexos na empresa que dirige. O homem que ensina ao seu filho que não se bate nem a mulheres nem a ninguém. O homem que faz qualquer tarefa doméstica e se orgulha disso. O homem que marcha na rua em prol das mulheres, simplesmente porque a igualdade de género é uma questão de direitos humanos e não de direitos das mulheres e lhes diz: “Estou convosco”.

Este mês, falo-vos de um homem em especifico: Helder Soares. O homem que sempre soube ser empático. Que, em dúvida, se coloca nos sapatos de uma mulher. E ele sabe que não é agradável, porque 8 ou 10 centímetros de salto requer perícia e força nos gémeos. A ti, meu irmão, que és um dos homens da minha vida, que vês as mulheres com esses teus óculos de igualdade, admiração, protecção e dedicação, agradeço a força e a clareza de me teres sempre dito que eu sou a melhor mãe, a melhor amiga, a melhor filha, a melhor profissional, a mais elegante, a mais promissora, a mais bonita, a mais inteligente, a mais informada, a mais bem formada, a mais polida, a mais bem penteada, a mais poliglota, a mais, a mais, a mais

 

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