Porque há gavetas assim na vida da gente!

Porque há gavetas assim na vida da gente!

Hoje falo-vos de arrumações. Claro que partilho a minha experiência, mas acredito que certamente, todos temos mais em comum do que à primeira vista, possamos imaginar.

Pensem na vossa casa, no vosso local de trabalho e digam-me se não encontram por lá, aquela gaveta! Sim, aquela que merece um digno lugar de destaque, porque nela cabe toda aquela tralha que não tem lugar definido. Olhem só o que encontrei na minha pobre gaveta:

uns quantos clips e ganchos de cabelo, postais de natais há muito esquecidos, isqueiros que um dia quase foram coleção, calendários de bolso, muitos calendários de bolso, canetas secas, algumas faturas apagadas pelo passar dos anos, recortes de jornais, com noticias que um dia foram importantes, contas de diversos colares e pulseiras que ficaram esquecidos na intenção de um dia serem recicladas, elásticos, blocos de notas, cartões-de-visita, abre garrafas……..,, tudo é claro, à espera de um dia vir a ser útil.

E o roupeiro? Quantas peças de vestuário por lá encontram que não vestem há tempo demais?

Se espreitarem bem, até na despensa conseguem descobrir um pacote, ou dois, talvez três, com mercearia esquecida, escondida, fora de prazo?

Já agora, olhem com atenção para o armário dos medicamentos, procurem e com alguma certeza, encontrarão uns quantos fora de validade.

Ah, não se esqueçam de passar pela sapateira, tomem contacto com a quantidade de pares de sapatos que há muito não têm direito a um passeio.

Continuem esta viagem de descobertas e reparem no louceiro, quantos pratos, taças, tacinhas, frascos, frasquinhos, jarras, jarretas não saem à cena há anos?

Já agora espreitem o vosso telemóvel, não encontrarão na memória, tanta coisa sem utilidade?

Pois é! Somos especialistas na arte de acumular tralha!

O mais incrível é que exercitamos esta atividade diariamente, quase inconscientemente, quase inocentemente.

Muitas vezes, tantas vezes, só cai a ficha, quando desesperadamente tentamos encafuar mais umas quantas bugigangas e a gaveta já não fecha, a coitada chegou ao limite da sua capacidade e agora?

Se mudamos tanto ao longo da vida, será razoável entender que os objetos que ontem nos faziam felizes, possivelmente hoje estão ultrapassados. Então porque insistimos em juntar o novo e o velho? Porque juntamos o útil com o inútil? Porque ocupamos o espaço que temos e o que não temos? Porque clamamos por mais espaço? Mais armários? Mais prateleiras? Porque vociferamos quando não encontramos algo que precisamos?

Vamos arranjar espaço? Vamos dar um destino digno ao que já não queremos, ou necessitamos?

Vamos reciclar, partilhar e deixar entrar ar, na nossa casa?

Paula Castanheira (Texto)
Ângela Rego (Foto)

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