Descartar o descartável

Vivo um tempo, muito meu, de reflexão, introspeção e ao mesmo tempo uma necessidade de partilha, talvez por isso, ou por outras razões que por agora não me ocorrem, aqui estou eu mais uma vez. Porque por vezes andamos distraídos, ocupados a correr, sem sabermos para onde, sem sabermos porquê, talvez porque crescemos com esta ideia que só as pessoas muito ocupadas, são importantes – vamos refletir em conjunto?

Falo-vos de um mundo onde quase tudo virou descartável, onde quase tudo pode ser substituído sem grande esforço. Falo-vos de um consumismo desenfreado que levou ao crescimento exponencial de uma indústria desprovida de regras ambientais e sociais.

De um lado a população que produz, maioritariamente em países subdesenvolvidos ou emergentes, onde se atropelam os mais elementares direitos humanos, em nome de interesses minoritários, que visam o enriquecimento rápido de alguns. Do outro, uma massa sedenta de novidades, desprovida de visão, de sensibilidade, onde tantas e tantas vezes nós estamos incluídos.

Estou-vos a falar de um ciclo que terá começado na década de 50 do século passado e que se estende por estes dias.

A economia é feita de ciclos, sempre o foi e acredito que assim continuará. Neste caso estamos a falar de um curto espaço de tempo, em que que se passou da euforia do descartável, para a consciência de que é urgente abrandar. Um ciclo que poderá ser longo na vida de um ser humano, mas efetivamente curto para a Humanidade.

Começaram a chegar notícias de bilhões de toneladas de lixo não degradável, de verdadeiras ilhas em pleno oceano constituídas por detritos que algum dia, todos nós deitámos fora!

Nada é infinito, nada desaparece, ou temos a capacidade de transformar, de reutilizar ou o fim do planeta será para breve!

Felizmente as noticias sobre a degradação do meio ambiente, estão a ser suficientemente chocantes e estão a fazer abanar as consciências. Bem sei que nem todos estão ainda neste registo, acredito também que muitos países ainda estejam completamente adormecidos, mas alegro-me por ver que estamos a tentar recuperar alguns hábitos que podem dar-nos esperança.

A minha vida tem-se desenrolado claramente neste tal ciclo, vejam alguns exemplos de hábitos que existiam no período em que decorreu a minha infância, que entretanto se foram perdendo e que agora estão de volta aos dias de tantos de nós.

  • Os sacos de  compras reutilizáveis
  • Os sacos do pão em papel, ou mesmo de pano
  • As garrafas de vidro que se trocam
  • Reaproveitamento dos frascos de vidro
  • Venda a granel de diversos produtos de mercearia
  • Guardanapos de pano
  • Recuperação de peças de vestuário
  • Reparação de eletrodomésticos
  • Troca de livros e de outros objetos
  • Pequenas hortas que vão surgindo à medida dos espaços disponíveis
  • Regressão no uso do micro-ondas
  • Preferência por produtos locais e sazonais
  • Recuperação de hábitos alimentares, como a sopa, os chás e até a partilha de receitas milenares de remédios caseiros
  • Loiça não descartável

A par destes exemplos, existem cada vez mais pessoas conscientes da necessidade de reciclar, papel, vidro e embalagens.

Com este, acredito eu, virar de página, profissões que estavam esquecidas, voltam a surgir o que significa novas oportunidades!

Talvez seja a minha visão demasiado otimista, mas sinto que estamos recetivos a esta mudança e felizes por poder alterar os nossos hábitos na esperança que não seja tarde de mais.

Assistimos a campanhas de consciencialização cada vez mais frequentes e incisivas para que se deixe de utilizar a tal loiça descartável. Há já debates na Assembleia da Republica para alterar a legislação nesta matéria.

Um longo caminho a percorrer é certo, mas temos esta coisa fabulosa que é a capacidade de aprender, a liberdade de escolha e a oportunidade de mudar.

Vamos a tempo? Conseguiremos nós dar a volta a esta situação?

Existem pessoas empenhadas em reutilizar este lixo, de formas criativas, à parte a limpeza do nosso querido Planeta, esta é também mais uma oportunidade para nascerem novas empresas, mais amigas do ambiente.

A cidade de Seattle será a primeira, ainda este semestre a abolir utensílios de plástico. Em seu lugar surgirão matérias biodegradáveis e fibras vegetais naturais.

Em diversos festivais, onde há grande consumo de copos de plástico, já foram experimentadas com sucesso, alternativas mais sustentáveis.

Estamos a assistir a uma grande mudança, talvez mais lenta do que seria necessário, mas ainda assim ganha-se algum folego.

Temos nas nossas mãos o destino da Mãe Terra, aliás como sempre tivemos, agora munidos de outra consciência., temos obrigação trata-la com respeito.

Há uma guerra a emergir, a guerra ao plástico, chamemos-lhe Guerra Santa!

Que não se pare mais este movimento, que se consigam ultrapassar os lóbis económicos, que não se desperdice nenhuma oportunidade para salvar o nosso lindo Planeta!

Paula Castanheira (Texto)
Ângela Rego (Foto)

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