Viagens: Campos do Mondego

Viagens: Campos do Mondego

Os Campos do Mondego não têm porta de entrada nem comite de boas-vindas. Nem sequer ninguém mora lá! Os Campos do Mondego estão lá, apenas. Quem os fez foi o nosso amigo Basófias, que de vez em quando se chateia e galga o seu curso, inundando as povoações beira-rio. Mas é fértil. Principalmente de arroz, se bem que outras culturas também ali apareceram a trote de subsídios europeus. Essas vão e vêm. O Arroz do Mondego é constante. Deve ser capricho do Basófias, de certeza.

Aos Campos do Mondego, passa-se por lá. Vai-se sempre para algum lado, para Montemor-o-Velho, Santo Varão, Formoselha, Ereira. Vai-se ao Castelo de Montemor-o-Velho e vê-se o mundo de cima, do forte que noutros tempos viu passar as barcas serranas, que rumavam direcção a Coimbra. Castelo esse que traz uma lenda. Dizem que nas muralhas estão escondidas duas arcas. Numa, existe riqueza abundante. Na outra, a peste. Até hoje ninguém ousou procurar as arcas, com medo de encontrar a arca da peste. Continuam escondidas nas muralhas, para eternizar a lenda. Se conheci as muralhas abandonadas, a desaparecer nas silvas, hoje conhecemos um lugar muito prazeiroso, amplo. Muralhas altas e grossas que ainda nos dão o sentimento de protecção para as quais foram construídas.

Mas o Basófias tem um irmão – o Rio Novo. Uma construção inovadora, do tempo da “Velha Senhora”, com o propósito de controlar o caudal em época de chuvas e evitar as inundações sazonais. Se hoje entrarmos em Montemor-o-Velho, ainda encontraoms que todas as casas têm rés-do-chão e primeiro andar. Nos antigamentes, na “altura das cheias”, mudavam-se os pertences para o primeiro andar e esperava-se que a água fosse embora. Era o ritmo, era como o Mondego – que nem sequer era muito caprichoso – mandava.

E depois temos as Princesas do Mondego. Que viajam de tão longe quanto Espanha, para chegar ali e encontrar o seu ninho. São as magníficas e timidas Cegonhas. Por todo o lado plantaram os seus ninhos em topos de árvores, chaminés, postes de alta tensão. De quando em vez, aparecem por cima de nós, a vigiar, a dar a sua presença, como se a lembrar que estão ali. As Cegonhas são aves lindas. Pronto. E se são as Cegonhas que trazem os bebés (de França, segundo dizem), estão também aqui para nos lembrar que onde nidificam é também um lugar fértil. Fértil de natureza, de Rio, de Vida que inunda e fazem este lugar algo que nos marca para toda a vida.

 

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