Maio e Mãe…

Maio e Mãe…

…hoje eu li uma mensagem linda que era sobre o amor de mãe e filhos, que há sentimentos que nem sempre são falados, mas que estão lá.

Amor de mãe é assim, um sentimento tão profundo que não há nada que não façamos pelos filhos, desde sonhar com eles, planear mil e uma coisa para eles se divertirem, comerem… é como se a gente quisesse estar em cada pedacinho da vida deles. Fazer parte deles… fazer parte do caminho deles… até um dia sermos lembranças boas para eles.

Estas últimas duas semanas não tem sido fáceis para mim e para os meus irmãos, pois temos nossa mãe num leito de hospital a fazer o melhor que pode, com a ajuda inexplicável de toda uma equipe médica que só podemos agradecer a cada dia que passa, pela atitude humana deles com ela e connosco. Então, escrever sobre mãe e maternidade neste momento é um rever a minha vida toda com as lembranças da mulher fantástica que é a minha mãe. Todas as mulheres da minha família, tias, avós, irmãs e primas são também Leoas na proteção de seus filhos e sobrinhos… tivemos e temos a sorte de ter estas matriarcas todas como exemplo ao longo da nossas vidas. Começa com a minha bisavó Maria da Luz, que não nos deixou chamar de bisavó nunca…risos… por aí vão vendo o tipo de mulher de opinião forte, depois minha avó Mariquinha que era outra que não tinha papas na língua, a mulher media no máximo 1,58cm e brigava como se tivesse 1,80cm… e adorava um convívio, minhas tias avós que eram uns doces de pessoas, minhas tias todas umas lutadoras pela vida e pelos seus sonhos…enfim, mães e mulheres.

Penso que a maternidade nasce com o filho e não com a gente, nunca pensei bem em como seria enquanto mãe, e ao bem da verdade acerto numas e erro noutras, peço desculpas pelos erros feitos em nome do “acertar”, porque não há mãe neste mundo que não cometa estes deslizes, porque amamos tanto e queremos tanto que os nossos filhos estejam bem, sejam felizes… que vivam o melhor deles e do mundo, que nesta ansia as vezes “pecamos”. E digo pecar aqui é muito abrangente, desde dar uns gritos para ver se o povo ouve, como ir checar como anda a vida social das filhas, porque mãe que é mãe sempre checa os amigos dos filhos para ter uma noção do ambiente que circunda tudo.

Olhando para trás, vejo muito da minha mãe em mim, e noutras vezes vejo muito das tias, e também das mães das minhas amigas, porque cada uma a seu tempo teve um forte impacto na minha maneira de ser e de ver o mundo. A minha mãe sempre foi de conversar, de nos levar a ver o melhor da vida para queremos mais e melhor pra nós, e isto implicava em dedicação e trabalho, nada neste mundo acontece sem que haja empenho e compromisso. Então o grande investimento dos meus pais foi mesmo a nossa educação e cultura.

Agora que sou mãe, percebo o quão longe é este empenho e compromisso, porque é preciso ensinar os filhos a pensarem, a voarem… mas ao mesmo tempo são os nossos pequeninos ali bem diante do mundo, e nesta fase da vida já sei que nem tudo é lindo, que existe muita gente boa e outras que nem por isto. E até onde ir nisto de proteger e de “libertar” o filho para os voos deles? Onde está o manual de instrução para acertar neste papel?

Penso que todos os pais um dia se deparam com este momento, onde é hora deles saírem e nós ficarmos em casa a espera deles. Tenho que confessar que das primeiras vezes foram mais duras. E hoje que olho lá no passado, consigo entender a coragem da minha mãe em me deixar voar, a coragem e clareza dela em perceber que eu não iria sossegar enquanto não fosse correr o mundo… e ela soube como me preparar para isto e soube também se preparar para isto… enquanto toda gente lhe dizia para não fazer, ela assumia que não poderia me colocar num quadrado porque eu pensava muito fora da caixinha para isto… assim são as mães que pelos seus filhos vencem os próprios medos, porque não nos cabe aprisiona-los nos nossos medos.

Não sei se existe fórmula ou maneira certa de ser mãe. Agora que sou uma, vejo que para cada filha preciso de ser um tipo de mãe, que embora as regras sejam parecidas, para cada uma há uma maneira de as aplicar… e isto dá trabalho, mas aos poucos vamos vendo os resultados com as atitudes delas, com a forma delas serem enquanto pessoas, e isto é muito bom, faz valer a pena tudo. Não somos mães para nós, somos mães para o mundo dos nossos filhos serem melhor.

Nas últimas vezes que falei com a minha mãe por telefone, ela me dizia que tinha orgulho da filha que eu era… mesmo discordando de muitas coisas, afinal temos formas de ser distintas, tínhamos um querer em comum para quem amamos: que estivessem bem. Por todas as vezes que tivemos que aprender as duas a contornar nossas “diferenças”, tivemos muitas risadas e choros a mistura, tivemos amor e respeito… e se ela tinha orgulho na filha que criou, eu tenho gratidão profunda pelo exemplo de amor sem fim e uma imensa capacidade de perdoar que ela sempre teve.

Não sei se sou uma mãe convicta, ainda não sei bem se a maternidade é de fato natureza do feminino, sei que enquanto mãe faço o meu melhor, leio um monte, estudo, procura ajuda para aquilo que não entendo ou resolvo, porque ao fim e ao cabo ser mãe foi uma escolha, e para cada escolha um trabalho precisa de ser feito. Não penso que ter filhos seja a única forma de concretizarmos a maternidade, porque vejo imensa gente vivendo a maternidade na solidariedade, no papel de tios, e mil e uma maneira de ser “mãe”.

Então neste dia da mãe, fica o meu desejo de que caso tenha sua mãe por perto que possa abraçar e dizer o quanto a ama, se tiver sua mãe mais longe que possa ligar e lhe falar, e no caso de já não poder contactar que possa rezar e recordar o amor todo que um dia teve, porque mãe ama mesmo quando nos descompõem, quando diz que já não aguenta mais…risos… as mães são assim um caso sério e digno de ser estudado pela ciência.

Hoje não rezo para que as mães sejam eternas, mas para que dentro da lembrança de cada filho os gestos de amor sejam eternos, porque a vida é finita o amor não.

Um maio de amor para todos.

Jaqueline Reyes

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