Jaqueline Reyes: A Vida que te pertence

Novembro começa com uma nota de saudades e respeito, saudades de quem partiu e respeito pela vida presente. Quem de nós não tem saudades de alguém que já não está mais neste plano? Quem de nós não tem saudades de alguém que mora longe? Quem de nós já não perdeu um ente querido em algum momento? Esta saudade de quem ama e foi amado, é uma saudade meio doida porque, por um lado nos preenche de memórias boas, e por outro cria um sentimento de falta.

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Quando trabalho saudades ou luto em terapias naturais, procuro sempre perceber o grau de intensidade destes sentimentos pois diferentes pessoas têm diferentes formas de lidar com as emoções. Até pelas próprias crenças espirituais que cada um possui, onde pensar que morreu e já está, ou pensar que morreu e vai para o céu, até a próxima vida… mil maneiras de acreditar e viver a fé, mas o fato é que isto também pode nos ajudar a viver de mais leve – ou não – as saudades e o luto. Certo mesmo é que todos temos de olhar para estes sentimentos e procurar a melhor forma de lidar com eles. Eu sempre aconselho, além das homeopatia e florais próprias, a psicoterapia. Ou então as constelações familiares, para que a abrangência de tratamento vá a todas as áreas, e assim o resultado é muito melhor.

E aí você me diz, “e como fazemos com as saudades e luto nas crianças?”. Seja criança ou adulto, claro que cada um terá uma forma de tratar do tema, e por isto as psicoterapias são importantes e de um valor inestimável a longo prazo. O fato é que precisamos de parar de usar frases feitas do tipo: “criança não sabe o que se passa”, “criança se adapta a tudo”… Gente. Criança também é gente e uma gente tão ou mais profunda que muitos adultos! Olhe para uma criança como um ser inteligente e capacitado a perceber tudo e todos. Vamos parar de ver as crianças como menos inteligentes do que são, e sem entrar numa de que eles são cristais, índigos e super especiais. Todo ser humano é especial em si, e ponto. Sem colocar rótulos a coisa flui melhor, certo?

Não está de acordo comigo? Tudo bem, vamos só fazer uma pequena prática. Sente-se confortavelmente, coloque uma musica suave de fundo, respire e procure lembrar de momentos marcantes da sua vida, e depois anote quantos foram da infância e adolescência, quantos foram da fase atual da sua vida. Depois faça o mesmo mas para momentos felizes. No final conte quantos deles são de cada fase e vai perceber que as nossas memórias emocionais tem um lastro enorme na infância… então comece por tratar as crianças de forma mais respeitosa ou pelo menos da maneira que você gostaria de ter sido tratado naquela época.

Então, saudades e luto são parte da vida, sim. Mas por vezes é preciso apoio para ultrapassar estes sentimentos, e busque por ajuda, ninguém é uma ilha ou consegue ser forte o tempo todo.

A isto chamamos de “respeito pela vida”, respeito por quem somos e pelo que sentimos. Respeito é uma palavra forte, com muitos significados diferentes… respeito pela vida, para mim, é cuidar do corpo, mente, emoções e espirito. Respeito, para outros, é ser dono disto ou daquilo, é ser Master ou PhD nisto ou naquilo… para cada um, o respeito vai de encontro com o que viveu e quer viver, com o que é prioridade ou objectivo de vida. Seja qual for o seu caso, lembra só de uma coisa, respeito começa por você e com você, com o estabelecer de limites para as pessoas, no dizer sim e não, no comer e dormir direito, na gestão de tempo e expectativas sobre o que quer ou o que pode de facto fazer. Respeito é tudo o que faz ou deixa de fazer para sentir-se em harmonia e equilíbrio consigo e com a vida.

Quando somos crianças, nos ensinam a respeitar os mais velhos. Mas sabe? Deveriam ensinar também o auto-respeito. Porque se assim fosse, ninguém precisaria dizer “respeite o espaço do outro”, “respeite o brinquedo do outros”, “respeite a casa do outros”, “respeite a forma de ser e estar do outro”. Simplesmente porque, ao respeitar quem somos, sabemos da importância do nosso espaço, da necessidade que todos temos de sermos ouvidos e de falarmos. Sabemos o preço da saúde – da falta de respeito – por meio da dor, por meio dos sintomas, e ainda perpetuamos este tipo de comportamento?

Respeito cada vez mais os mais velhos e os mais novos, porque ao atender adultos, vejo que teria sido mais fácil se tivessem tido outro tipo de cuidados nas suas idades anteriores. Nos mais velhos, constantemente percebo o arrependimento, e nos mais jovens o medo de errar. Agora me explica, o que é pior e o que é melhor? Arrependimento por ter feito ou por não ter feito?

Posso dizer que, da minha experiência, enquanto pessoa e terapeuta, é sempre o “não ter feito”, o “não ter vivido”. Este preço gera um buraco tão grande, que nada o preenche. O arrependimento por ter feito é um peso, é uma dor, mas que podemos trabalhar por meio da terapia, por meio da oração, por meio de um pedido sincero de desculpa… há sempre maneiras de lidar com o que fazemos. Mas com o que não fazemos, é mais duro e complexo. Então comece por respeitar a vida que lhe pertence, viva em conformidade com as leis de amor e verá que ao fazer o bem, o bem retornará a você de diferentes formas e pessoas. Tudo o que fazemos de bom ou mau nesta vida retorna a nós, o tal do “planta e colhe”.

Respeito é uma forma de olhar para a vida com mais objetividade, com mais sensibilidade e empatia, porque a vida é frágil, tudo o que pensávamos ser concreto e definitivo muda assim que a morte nos toca, então não espere a morte lhe tocar para mudar sua vida, para viver melhor, para dizer eu te amo, para dizer obrigada, para dizer saia da minha vida… respeite-se e permita-se ser o seu melhor em tudo o que fizer ou viver, afinal esta é a sua vida!

Que as saudades sejam sempre leves e com tons de gratidão, que o luto nos ajude a repensar a vida para melhor, e que o respeito seja a nossa diretriz de vida para sermos melhores a cada dia em cada ação nossa.

Viver ainda é a melhor forma de demonstrar respeito e amor pelos que partiram antes de nós.

FIca bem!
Jaqueline Reyes

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