Mãos que Mimam: Cestos e Cestinhos

Na Cestolândia, reinava a confusão!

Ninguém se entendia.

Como não havia certezas, cada um dava um palpite, à espera que fosse o mais certeiro.

Havia ajuntamentos nas ruas. O burburinho adensava-se.

Até que, numa bela manhã, de um outono, cálido e azul, eles chegaram!

Eram três formosos cestos. Novinhos em trapilho!

Coloridos e funcionais. Rapidamente, se tornaram o centro de todos os olhares e… invejas.

– Com que então era isto! – Dizia rezingão e pouco resignado, Palhinhas, o cesto ancião.

– Cheios de manias! Olha pr’aquilo! – Criticava a atarracada e carunchosa cesta Verguinhas.

Entre dentes e olhares dissimulados, todos os antigos habitantes de Cestolância, admiravam os forasteiros, que não pareciam dar sinais de querer partir.

– Que horror! Que material é aquele? Questionava para quem quisesse ouvir, o indignado cesto Bambu.

Cesto Junco, olhava-se triste ao espelho, estava sem o brilho de outros tempos, já lhe haviam saltado pedaços. Pouco requisitado, aguardava a ordem definitiva de reforma. Talvez acabasse na primeira lareira deste inverno…

Os novos vizinhos, ao vê-lo assim cabisbaixo, acercaram-se dele e pediram-lhe para lhes mostrar a zona. Ele, meio desconfiado e cheio de dores da idade, lá aceitou o convite.

Pelo caminho, a conversa foi ganhando ao silêncio e rapidamente Junco percebeu, que talvez o seu fim, não estivesse sentenciado. Podia ser reciclado. Porque não?

Junco convidou os novos amigos para uma festa na aldeia, onde estavam todos os cestos reunidos, uns guardavam fruta, outros, pão, muitos tinham flores… que lindos estavam!

Junco recuperava um pouco da confiança perdida e apresentou os novos amigos a toda a desconfiada comunidade.

Afinal havia lugar para todos. Reinou de novo a tranquilidade em Cestolândia.

 

Vamos ‘encestar’?

Gosto muito de trabalhar o trapilho, ou fio de malha. É muito versátil e dá-me enorme prazer. Eleva-me os pensamentos, fermenta-me as ideias!

Desta vez trago-vos três cestinhos, coloridos, originais e que podem usar de diferentes formas.

A imaginação não tem limites, usem e abusem, dela e do fio de malha.

Material

Fio de malha de cores, a gosto

Agulha nº9

Agulha mais fina para os acabamentos

Tesoura

Paciência 🙂

Imaginação 🙂

Pontos usados

Ponto baixo simples

Ponto baixo centrado

Ponto baixíssimo

Ponto alto

Ponto alto duplo

Ponto caranguejo

Dica: Não apertem o ponto, deixam o fio livre e mão descontraída.

Bases redondas

O número de carreiras vai depender do tamanho do cesto que quiserem fazer. A regra é sempre a mesma e pode servir para cestos, tapetes, base de tachos, malas, etc.

Nas bases usei ponto baixo simples, nas laterais, ponto baixo centrado, no picô, ponto caranguejo.

Tudo nasce no anel mágico!

1ª carreira – 8 malhas

2ª carreira – 1 ponto baixo, 1 aumento (2 pontos baixo na mesma malha da carreira de baixo)

3ª carreira – 2 pontos baixo,  1 aumento

4ª carreira – 3 pontos baixo, 1 aumento

Ao terminar a base, para que o remate fique perfeito, puxa-se a ultima laçada para trás que depois se vai buscar, através da malha anterior, de novo para a frente. Devem apertar o anel mágico, até deixar o círculo inicial bem fechado. Não se esqueçam de ir escondendo as pontas, por detrás dos novos pontos. Quando tudo estiver bem rematado, podem cortá-las sem medos.

É altura de começar a trabalhar a lateral do cesto.

A primeira carreira e as seguintes, serão sem aumentos e com ponto baixo centrado. Isto quer dizer que vão passar a agulha pelo meio do ponto da carreira de baixo e não entre dois pontos, como no ponto baixo normal.

Agora divirtam-se a ver o vosso cestinho tomar forma. O número de carreiras dependente da vossa imaginação. Podem misturar cores. Há tantas e tão bonitas…

Bases retangulares

Regra para definir os centímetros da corrente inicial:

Exemplo de 1 cesto de 20X10 cm

20-10=10 cm

Exemplo de 1 cesto de 30X15

30-15=15 cm

Depois de fazer a corrente inicial

1ª carreira – Preencher de cada lado com ponto baixo e nas pontas,, 3 pontos baixos no mesmo ponto de base.

2ª carreira – Preencher as laterais e nas pontas, 1 ponto no meios e 3 de cada lado no mesmo ponto base.

3ª carreira – Preencher as laterais e nas pontas, 2 pontos no meio e 3 de cada lado no mesmo ponto base.

O aumento de cada carreira é sempre, no primeiro ponto do aumento da carreira anterior.

Não se esqueçam do remate perfeito.

Quando já tiverem a base, no tamanho desejado, começam a subir, usando ponto baixo centrado.

Para remate, adoro o ponto caranguejo. O nome vem-lhe, do facto de ser trabalhado da esquerda para a direita. Um ponto baixo, uma malha, laçada e um ponto baixíssimo, não se esqueçam, para trás! Assim o ponto fica entrançado e o nosso trabalho fica ainda mais bonito.

Adereços

Aquele toque final! Adoro 🙂

Coração

Anel mágico

3 malhas

3 pontos altos duplos

3 pontos altos

1 malha

1 ponto alto duplo (a pontinha do nosso coração)

1 malha

3 pontos altos

3 pontos altos duplos

3 malhas

1 ponto baixíssimo

Fechar o anel mágico, rematar e… que lindo o nosso coração!

Flor

Anel mágico

1ª carreira – 10 pontos baixo, remate perfeito

2ª carreira

2 malas

2 pontos altos duplos

1 malha

1 ponto baixo

1 malha

2 pontos altos duplos

1 malha

Vão formar 5 pétalas.

Agora é esconder as pontas, rematar e cortar as pontas. Ficam encantadoras, com o centro de uma cor e as pétalas de outra.

Trabalhos muito divertidos. Faziam-me até esquecer a hora de ir para a cama. Mas estou muito orgulhosa deles.

Rosa Alçudo

Amarelo Baixinho

Verde Comprido

Os 3 novos habitantes de Cestolândia 🙂

Paula Castanheira

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