E quando o resultado é: “Doença Oncológica”! Dois caminhos?

E quando o resultado é: “Doença Oncológica”! Dois caminhos?

Todos os dias nos deparamos com casos e mais casos de amigos, vizinhos, familiares que têm uma doença oncológica.
Ficamos com “pena”, sentimos tristeza, admiramos a sua coragem, o seu instinto de sobrevivência mas será que realmente sabemos o que significa esse diagnóstico? O que realmente passa pela cabeça de uma pessoa quando recebe o seu diagnóstico?
Sempre fui muito empática com as dores dos outros, mais do que com as minhas próprias. Sempre me foi fácil ajudar o próximo – ficar no papel de socorrista, nunca no papel de socorrida…
Vivi de perto muitos e muitos casos de Cancro, chorei por muitos deles, mas tentava sempre confortar o outro.

Até que um dia, o mero acaso da Vida – e ainda dizem que existem acasos… – após uma dor banal que me leva a um exame, que me leva a uma biopsia, e em que o seu resultado foi Tumor – mas que em nada indicava ser maligno. No entanto, e acima de tudo por motivos físicos, decidimos retirar o orgão e o tumor anexo, e eis que, um mês após a cirurgia, o resultado da análise é: Carcinoma.

E aqui sim, em torno de toda uma expectativa de que nada apontava para o facto, percebes o quão frágil e incontrolável pode ser a tua vida, e por momentos tudo desaba. “Porquê Eu, que fiz de errado, o que podia ter feito diferente…” O choro, a luta interna invadem o teu corpo as tuas emoções… Durou cerca de 2, 3 dias, em que, por momentos, precisas de ser o actor principal do teu palco, porque ele agora é teu – ou TUDO ou NADA.

Percebes que o ano anterior tinha sido de um grande desenvolvimentos pessoal, de transformação e estava também na hora de largar tudo aquilo que se somatizara no teu corpo.

E agora tens dois caminhos – e aqui sim tens o poder de decidir -, se optas por: Viver, encontrar as soluções, aprender com a situação, fazeres a tua introspecção e decidires o que desejas para Ti; ou se simplesmente preferes viver o teu drama e entregares-te às vicissitudes da vida.

E é neste momento que percebo onde a maioria de todos aqueles que passam por este tipo de situações vão buscar forças, porque efectivamente nasce dentro de Ti uma vontade de Viver, maior que Ti mesmo, uma vontade de querer fazer mais e mais, como se tudo fosse acabar amanhã. Nasce em Ti a vontade de ser melhor, de seres mais TU.

E tudo isto dá mais e mais força para prosseguir. Claro que existem várias vertentes emocionais vividas pelo processo em si, nem sempre tudo é força, nem sempre tudo é mais – às vezes é menos – às vezes batemos no fundo, mas é o reconhecimento das nossas fragilidades que nos faz desejar Viver.

Não aprendi todas as lições, nem resolvi todos os meus dramas, bloqueios. Mas a vontade de Viver, essa só aumentou e sei que os desafios irão manter-se uns mais fortes, outros nem tanto.
Mas uma coisa eu sei, hoje sou uma pessoa diferente.

Durante todo o processo me questionei onde ia buscar forças, serenidade. As pessoas questionavam porque me ria tanto, se não devia era chorar. Depois parei e pensei realmente “será que estou errada em abraçar tudo isto com toda a minha força”?
E ai sim, percebi que há cerca de 12 anos atrás mergulhei intensamente naquilo que era o desenvolvimento pessoal, sempre gostei de analisar as pessoas ver o que estava por detrás dos seus sorrisos medos. Comecei eu própria a fazer essa análise em mim, pratiquei e fiz formação em meditação, reiki, taças tibetanas, terapia floral, cursos e mais cursos de desenvolvimento pessoal, comecei a abraçar o coaching e todas as suas vertentes, inclusive a psicologia. E eis que muitas vezes me questionei sobre mim, sobre o meu caminho, e hoje percebo que tudo isto me tornou uma pessoa diferente, pois pude abraçar com uma atitude diferente tudo aquilo porque passei e aqui sim percebi que afinal todo o meu caminho tinha e fez todo o sentido. Pois, ao olharmos para tudo isto como um TODO, podemos perceber, aceitar com mais ligeireza – a [ligeireza] possível, pois não deixamos de ser Humanos – todos os caminhos para onde somos transportados.

A todos aqueles que encontrei no IPO, aos profissionais e aos “pacientes”, muitos e muitos em situações mais intensas que a minha, alguns a quem abracei, outros com quem apenas troquei olhares, fica o meu eterno agradecimento por tudo o que me ensinaram, mesmo sem saberem que o fizeram.
A todos os que viveram comigo esta viagem, fica a minha profunda gratidão.

Porque na verdade existem sempre dois caminhos, o de Viveres tudo isto com toda a tua força e vontade de Viver ou apenas deixares-te ir na corrente, com a certeza porém que tudo será mais fácil se deres a mão à vida e caminharem juntos.

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