Fotos que Falam: Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam!

‘’Viagem do Elefante’’
Último livro de José Saramago (1922-2010)

Nasceremos simplesmente para cumprir um destino?
Teremos noção de quantas decisões tomamos ao longo do dia?
Vejamos alguns exemplos:
A que horas me levanto?
O que visto?
O que como?
A quem telefono?
Onde atravesso a estrada?
Mudo de emprego?
Acabo esta relação?
Que livro compro?
Que filme vejo?
Mudo de canal?
Abraço o meu Pai?

Cada decisão vai condicionar o nosso minuto seguinte, poderá até ser crucial na determinação do nosso futuro. E não são só as supostas grandes decisões, que nos condicionam.

Quantas vezes damos um passo singelo e aparentemente inofensivo e de repente mudou-nos o rumo?

Talvez as decisões que tomamos sejam afinal determinadas em função do tal destino.

‘Tropecei à entrada do metro, ele veio em meu auxílio e olha, apaixonámo-nos!’

Um exemplo que dá que pensar. E se aquela pessoa não tivesse tropeçado, naquele lugar, àquela hora? Perderia um grande amor? Encontraria algures, um outro? Ou pelo contrário estaria condenada a não se apaixonar?

Pensemos na hora da conceção. Bastava que se desse um segundo antes, ou um segundo depois e o resultado, seria alguém completamente diferente!

Quantas vezes dizemos: ainda bem que tomei a decisão de mudar, agora estou muito melhor!

Esta mudança estaria mesmo reservada para nós e por isso só poderíamos ter aquela decisão?

Estará algures escrito, por uma qualquer mão divina, a lista (A Nossa Agenda) do que nos foi destinado?

E onde encaixa o acaso, no meio de tudo isto?

Por acaso encontrei-te ontem. Ainda bem, precisava mesmo falar contigo e não tinha o teu número de telefone.

Ou então:

O destino colocou-te no meu caminho! Estava mesmo a precisar de te falar.

Será que, se aceitarmos com gratidão o que a vida nos traz, vamos sempre chegar aonde nos esperam?

Não será a nossa existência um caminho até nós?

Seremos NÓS, o nosso verdadeiro destino?

Se pensarmos em cada questão que nos colocamos, talvez entendamos o desejo visceral de nos conhecermos.

Apregoamos tantas e tantas vezes:

Só confio em mim.

Conheço-me muito bem.

Eu é que sei.

E no entanto surpreendemo-nos constantemente.

Nem acredito, que fui eu que fiz aquilo!

Não imaginava que era capaz!

Haverá algures o ‘nosso’ lugar perfeito?

Ou isto é uma treta e verdadeiramente o lugar perfeito é na realidade qualquer sítio onde nos sentamos bem?

E que é isso de nos sentirmos bem?

Pois…

Depende de cada um. E ainda assim depende do dia, depende até do sol, da chuva…

Poderemos a meio do percurso mudar de história? Mudar a nossa história?

Poderemos trocar de história com o vizinho do lado? Com um colega de trabalho?

Há por aí quem tenha tentado, mas não lhes reconheço grande sucesso.

Controlo ou sou controlado?

Não falo aqui do certo ou do errado, porque estes são conceitos, perfeitamente e aconselhavelmente discutíveis.

Se controlássemos, com certeza que escolheríamos não sofrer. Se controlássemos não haveria medo, saudade. Se controlássemos com certeza que optaríamos, por não discutir com quem amamos.

Mas controlo é domínio e não se conhece felicidade ou paz, aos dominadores!

Será então tudo isto, um misto de acasos e destinos?

Ou antes pelo contrário não é coisa nenhuma?

Esta nossa mania de tentar catalogar qualquer coisa que nos acontece, talvez seja afinal um perfeito disparate!

Inocente, é certo, mas disparate!

Disparate, é certo, mas não inconsequente.

E se por um acaso, pudéssemos conhecer em antecipação o nosso destino? Quantos estariam disponíveis para o enfrentar?

Quantas pessoas amamos?

Por quantos somos amados?

E os abraços?

Deveremos chorar os que perdemos? Ou agradecer alegremente, todos os que conseguimos?

Talvez, por vezes nos desviemos do ‘nosso’ trilho em busca de resposta desnecessárias.

Talvez, por vezes nos pareça que andamos perdidos, em círculos labirínticos.

Talvez, por vezes, nos sintamos a acelerar em marcha atrás.

E ainda assim, é o nosso caminho!

A Casa dos Bicos, com homenagem a Saramago

Ângela Rego (Foto)
Paula Cristina Castanheira (Texto)

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