Saúde pela Boca: Sair do trilho

Por vezes, uma “change” (“mudança”) pode
ser uma “chance” (“oportunidade”).

“Às vezes, a vida precisa sair do trilho para que possas conhecer novos caminhos”
Autor desconhecido

Atravesso um período onde questiono todas as minhas crenças. E quando eu digo “todas”, são todas.

A quarentena foi clara para mim sobre muitos assuntos. E percebo que chega a um momento na vida em que tens tantas ferramentas, que a tua obrigação é partilhar.

Nenhum conhecimento é teu. Tudo te é emprestado como meio para que tu possas transformar a tua experiência.

Eu incentivo a cada um a experienciar como é que o conhecimento que eu lhe ofereço atua em si, porque a verdade é que todos somos diferentes sobre o ponto de vista físico, emocional, mental e espiritual, embora o mesmo fio que nos conduza a todos. Por outro lado, a crença em mim não será suficiente para manter uma prática alimentar saudável sustentável durante muito tempo. É preciso que cada um viva com integridade a sua verdade.

Eu alterei a minha alimentação há 4 anos quando estava grávida do meu primeiro filho.

Deixei de comer carne. Sentia-me culpada quando comia solenáceas (beringelas, tomates, curgetes, bagas de gogi) embora fosse a terra que as fizesse brotar. Substituía a fruta fresca por fruta cozinhada ou outras opções bastante menos interessantes, mas que contornavam o símbolo do proibido que coloquei na fruta. Na macrobiótica, a água é de alguma forma mal vista, e se eu já a afastava, ganhei o álibi perfeito. E outras tantas coisas que rimaram com culpa.

“Estamos muitas vezes a cultivar a restrição dentro de nós e não a liberdade.”

Até que veio a pandemia.

Abri mão de algumas horas na cozinha e de uns quantos malabarismos para os miúdos comerem algumas coisas que eu achava mais saudáveis, e deixei em muitos momentos o meu marido levar o leme deste barco. Começaram a entrar alguns frangos assados pela porta, as sobremesas nos jantares na rua abundaram. Os meus filhos experimentaram o que nunca achei possível. Deixei de fazer maior parte das compras no sitio do costume e passei a adotar o que estava mais próximo.

Quebrei com tudo.

Quebrei comigo.

E como resultado disto eu também fiquei uma quanto “quebrada”. Desequilibrada. Com mais sede de umas cervejinhas, com mais vontade de uns queijinhos, com mais uns quilos, com menos foco, com mais irritação, com menos energia vital.

Por outro lado, ganhei flexibilidade. Libertei-me do perfeito e da esperança de algum dia ele existir ou ser o meu objetivo. Libertei-me da culpa!!! A culpa!!!!!!!!

QUANTAS VEZES LÊS OU VÊS A QUESTÃO DA ALIMENTAÇÃO RELACIONADA COM A CULPA?????????

“Bolo de chocolate sem culpa”

“Snacks sem culpa”

“Comer sem culpa”

E porque será?

Porque maioria de nós vive nela e associa-a à comida recorrentemente. Eu era uma dessas pessoas!

E como diz a minha mãe “No melhor pano cai a nódoa.”

Nenhum de nós está livre de nada. E a experiência da vida, a ilusão, conduz-nos pelos caminhos certos para a nossa transformação interior.

Existe uma linha muito fina que separa a luz da sombra. É um traço muito fino. Ténue. E super transponível.

Não é a experiência. É a forma como tu a vives.

Não é a alimentação que tu fazes apenas. Não é apenas o que pões na boca. É a FORMA como tu pões na boca. De que forma vives a tua experiência? Com prazer e libertação? Ou com obrigação e castração?

Todas as histórias, como as moedas, têm dois lados. E se por um lado o BOOOM da alimentação saudável trouxe muita informação, mais opções disponíveis, proximidade, novos produtos, ela também trouxe aquilo que li há uns dias no post de instagram (que lamento não me lembrar de quem) o “Terrorismo alimentar”. Estamos muitas vezes a cultivar a restrição dentro de nós e não a liberdade.

Eu adaptei-me à macrobiótica porque ela cultiva a liberdade. No entanto, na MINHA MENTE, vivia a culpa. Então eu vivia cada experiência da minha vida sobre essa óptica.

Hoje, toda a criatura que queira ser da moda, é vegetariana. Mas é verdadeiro isso para ti?

Se amanhã todos fossem super carnívoros, aguentarias ser o único devoto aos teus ideais? Qual a força da tua crença?

Qual a verdade da tua intenção?

O que mora no teu coração para tu tomares certas opções?

Sê honesto contigo mesmo.

Eu precisava desta experiência. Precisava flexibilizar. Precisava descontrair e abrir mão do controle de tudo. Precisava de perceber que somos uma família e o lugar de cada um tem que ser confortável para si e para todos.

Eu não sou aquela super zen da montanha que vai com a família de férias para o meio da Natureza. Amava que o meu marido embarcasse nessa, porque seria uma experiência incrível. Mas hoje, eu não sou essa pessoa.

Falta de tempo, chama-se prioridade. E os meus filhos bem como a sua alimentação eram a minha prioridade. Eles continuam a ter hoje um lugar de destaque em mim, mas eu precisei priorizar outras coisas. E sabes que mais???

Continuo a ser incrível. Continuamos a comer o melhor que eu posso dar a cada momento. Aprendi a fazer coisas mais rápidas. Aprendi a programar com mais antecedência. Aprendi a libertar-me da culpa nas escolhas e a religar-me ao “melhor possível a cada momento”.

E dentro deste NOVO EU. Continuo a aceitar a Macrobiótica como uma fonte de conhecimento e sabedoria incrível que eu aplico na minha vida da melhor forma possível a cada momento.

Qual a tua verdade?
Desperta o gigante que há em ti!

Abraço!
Alexandra Abranches

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