Jaqueline Reyes: Abril… É pensar em qual o meu papel como agente de mudança positiva na vida a partir de agora

Jaqueline Reyes: Abril… É pensar em qual o meu papel como agente de mudança positiva na vida a partir de agora

Fiquei aqui pensando que sempre ouvi e certamente vocês também que em tempos de crise ou “crescemos” ou “morremos”, então é partir das crises que crescemos certo?

Então vou dizer uma coisa super importante e que estão carecas de ouvir, tudo é uma escolha nossa, e a nossa escolha é como vamos passar pelas crises da vida. Depois de três semanas de quarentena com a vida toda virada do avesso – afinal dou consultas e tive que reduzir o meu trabalho para menos da metade – fui obrigada a ficar em casa… ou seja, tudo do mudando e mudando, as rotinas deixaram de ser as mesmas, e agora?!!

Amo o meu trabalho, aliás o meu trabalho é algo que me define como ser humano, então só por aí o baque é grande, depois vem a rotina da família que foi inteiramente alterada, e quem tem filhos em casa pode atestar que é o desafio deles e nosso também. Enfim… desafios atrás de desafios, parece até uma corrida de obstáculos e nem me disseram que deveria estar um dia na vida preparada para tal episódio.

E aí entra a preciosa dica: pare tudo e não faça nada.

Fato é que depois de dar em doida com as comidas todas, as limpezas todas, de já não poder contar com os muitos apoios que tinha como certo, tive que rever as prioridades todas, minhas e da família, tivemos que fazer cedências e impor limites… eh lá estamos a crescer, certo?!?

Tenho cá as minhas dúvidas, afinal surtei umas quantas vezes com marido, filhas e comigo mesma…risos… mas depois fiquei a pensar no como poderia fazer disto a minha terapia e cura, porque não posso controlar nada, mal posso organizar as compras de comida porque toda hora uma novidade aparece no cenário. E aí entra a preciosa dica: pare tudo e não faça nada. Sim, passei uns dias a aprender a não fazer nada ou fazer o mínimo indispensável e agora finalmente percebo uma coisa simples: andava as voltas com o stress do “tem que ser”, e este tal do “tem que ser” é meu amigo desde a tenra idade, então foi duro deixar ele ir.

Tive uns dias de luto, porque meu amigo fiel que sempre foi meu chão, partiu. O meu mundo veio a baixo e sabe o quê? Sobrevivi e descobri que poderia de novo reinventar-me, poderia fazer coisas que tinham ficado para trás, porque o tempo não dava para tudo… gente há vida para além do que tem que ser, do stress… há vida para além de tudo e é esta a minha escolha, a vida que há hoje.

Não é fácil gerir uma perda, e este vírus na verdade é para nos recordar quem somos, o que queremos, é o vírus da solidão e da tristeza (já que afeta as vias respiratórias), é o vírus que faz com que tenhamos que parar e nos rever, faz os nossos filhos olharem para o presente e o futuro de outra forma, é o vírus que nos fez perceber na pele que o outro é tão importante nas nossas vidas quanto nós próprios. Somos gente e não máquinas de comer e gastar, somos gente que ama e chora, que precisa de abraço e que gosta de dar abraço, somos gente que fala e ouve… somos seres humanos com tudo o que isto implica.

Posto tudo isto e sabendo das incertezas sobre o que vem e como vem, comecei a pensar no que poderia fazer para ajudar, qual o atributo que tinha para ajudar, e só pensava que o povo precisava acalmar a mente e o espirito. Porque a consciência coletiva e a midia tem um poder que não calculamos, até sair das garras deles. Então, o que faço que pode ajudar: meditar e rezar.

E fica a pergunta, o que pode fazer para ajudar? Qual a valência que tem que pode ajudar os demais? Todos temos algo que pode ajudar os demais, é servindo e saindo do nosso umbigo que crescemos, que somos melhores, que somos mesmo validos e fazemos a diferença.

Agora quando vou as compras aviso amigos e família, para que se eles precisarem de algo possam contar comigo. Sei que os restaurantes estão numa processo difícil, então encomendo comidas para que eles não deixem de trabalhar, vou comprar frutas aqui no mercado do meu lado, que usa produtor nacional e que também precisa de sustentar a família, fiz acordo com alguns serviços para eles não pararem de todo…

O que cada um de nós pode fazer para ajudar quem está perto de nós por primeiro?

Mantenho-me em casa, mantenho os cuidados necessários com uso de luvas, mascara, álcool… suplementos para a imunidade… mas não podemos descuidar da vida como um todo. Para mim este é o aprendizado, o que posso fazer para servir ainda mais e melhor.

E neste processo comecei por voltar a ensinar meditação online e sem custo, porque sei que não está fácil para ninguém, então se posso doar meu tempo e o meu conhecimento, é o que escolho fazer.

Quem segue meus textos sabe que acredito num Deus fantástico e nada castrador, que acredito na lei do karma e em reencarnação, portanto só posso pensar que tudo isto é para o nosso melhor, é para sairmos disto melhores como seres humanos, é percebermos o que andamos a fazer com o planeta e com a vida em geral. É pensar em qual o meu papel como agente de mudança positiva na vida a partir de agora.

O que fica deste Março que passou é que cabe a cada um de nós fazer algo, escolher fazer algo de positivo com tudo ou então, ficar a ver a vida em negras nuvens.

Que abril venha com esperança e atitudes positivas por parte de todos, que cada um se coloque na pele do outro e ajude. Nem que seja com doações as entidades sérias que mudam as vidas de outras pessoas como a UNICEF, ONU, Médicos sem Fronteiras, Mini gentilezas, Centros comunitários… veja como pode ajudar e faça a sua parte.

Um abraço virtual com muito respeito e amor pelo ser que você é.

Jaqueline Reyes

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