Saúde pela Boca: Alexandra Abranches

Há uns dias fui almoçar com o meu marido a um restaurante cuja entrada era semelhante a esta. “Healthy, Fresh food” – comida saudável e fresca. Delicioso não?

Pois que acabei de comer e nasceu em mim uma vontade tremenda de escrever sobre alimentação.

O meu nome é Alexandra, sou alegre e bastante enérgica, sou Cardiopneumologista de formação académica, comercial de profissão, mãe de coração e aspirante a transformadora de vidas.

A minha aspiração já me conduziu a diversos caminhos. Um deles o da alimentação.

Engravidei do meu primeiro filho em 2015, o Miguel, e vi-me obrigada a acalmar a velocidade furiosa que vive dentro de mim. Andava aborrecida, com a falta de ação na minha vida e um dia fui passear. Cheguei à porta de uma livraria e propus-me trazer um livro que mudasse a minha vida.

Saí acompanhada d’ “Os alimentos Curam” do Francisco Varatojo. Devorei-o na mesma tarde e a partir daí apaixonei-me pela macrobiótica.

Sou bem casada e mãe de três miúdos maravilhosos que vieram sem pedir licença.

Fiz várias formações no instituto macrobiótico, li, pratiquei e transformei a minha vida a partir da boca. Até a boca do meu marido reconquistei!

Depois de tudo o que já aprendi e pratiquei, a minha vida é sem dúvida mais feliz, mais rica e mais saudável. Hoje dedico parte do tempo, que faço por ter disponível, para inspirar outros através de cook coachings em casa individuais ou em grupo e workshops, através do Projeto Saúde pela Boca.

Para além da alimentação, pratico diversas terapias naturais que se relacionam com o desenvolvimento pessoal e auto-conhecimento, e se baseiam no princípio fundamental que todos somos energia. Que tudo é energia.

Essa foi sem dúvida a questão que até hoje me mantém fiel. Na macrobiótica o alimento é uma energia, e se a soubermos utilizar corretamente conseguimos oferecer ao nosso corpo a plenitude que lhe é original.

Citando o pai da Macrobiótica, George Oshawa, “A Macrobiótica é simplesmente uma disciplina prática de vida que qualquer um pode seguir com grande prazer, quando e onde se quiser. Restabelece tanto a saúde como a harmonia mente, da alma e do corpo, condição indispensável para uma vida plena e feliz.”

Não pensem que foi deslumbre. Passei por diversas experiências alimentares. Aos 16 anos decidi – por auto recriação – tornar-me vegetariana. Vi-me, no entanto,  obrigada nos meses seguintes a parar porque não soube alimentar-me e a carência em ferro tornou-se grande e a falta de força imperava.

Retomei à dieta mediterrânica, passei por Herbalife, suplementos naturais, dietas hipocalóricas, cetogénicas, sem glúten, dietas de farmácia….

Acredito sem qualquer sombra de dúvida, que, a melhor alimentação para cada um é aquela que melhor lhe serve, e melhor serve os seus objetivos. Não pretendo abalar crenças, ou dizer-te que o meu estilo é melhor que o teu.

Na macrobiótica, fala-se de 7 níveis de alimentação, de acordo com os níveis de consciência que existem.

1º – Mecânico: a pessoa alimenta-se espontaneamente, sem refletir sobre o que está a comer, assim como se aquece quando tem frio ou se deita quando tem sono. É muito importante estar atento e consciente, para não ceder a atitudes automáticas que não são benéficas para nós.

2º – Sensorial: a pessoa alimenta-se segundo aquilo que lhe dá prazer e lhe causa sensações ao nível dos sentidos. Por isso mesmo, há pessoas capazes de pagar uma fortuna ou de fazer uma grande viagem pelo prazer de uma refeição. A verdade é que o prazer sensorial é breve.

3º – Sentimental: a pessoa alimenta-se daquilo que o satisfaz emocionalmente. Os adolescentes regem-se muito desta forma, não interessa o que se come, interessa o ambiente, a paixão, a música, a imagem. Não é negativo, pelo contrário. É importante nesta fase da vida e, quando não se passa por ela, mais cedo ou mais tarde sentir-se-á a sua falta. A publicidade trabalha muito a este nível e há muitas pessoas que lhe cedem, estagnando neste ponto.

4º – Intelectual: a pessoa alimenta-se segundo os fundamentos intelectuais, defendidos por especialistas/nutricionistas. É a fase do questionamento, da descoberta do que está á volta, da construção de conceitos e de sistemas que são fruto da nossa mente. A ciência trabalha muito neste nível.

5º – Social: a pessoa alimenta-se de acordo com uma consciência social, por exemplo, em prol da distribuição igualitária de recursos, ou em prol do estímulo económico de uma região.

A maior parte destas pessoas alimenta-se nos 4 primeiros níveis, mas penso que e partir deste nível que a vida humana ganha verdadeiro sentido (porque começamos a viver a vida de uma forma que não é meramente autogratificante.) Começamos por nos identificar menos com o nosso ego e a compreender que, para além de nós, existe uma «rede» na qual estamos integrados. A política, a economia, a luta pela liberdade e pela igualdade …funcionam a este nível.

6º- Ideológico: a pessoa alimenta-se de acordo com as tradições, crença ou religião.

7º – Espiritual: a pessoa alimenta-se de uma forma livre e intuitiva, acabando por comer exatamente aquilo que mais necessita, sem ficar, no entanto, condicionado por questões de ordem sensorial, emocional, conceptual, social ou ideológica.”

(in “Os alimentos Curam”, Francisco Varatojo).

Hoje, não conto calorias, não bebo litros de água “porque sim”. Não corro atrás das modas, mas procuro ser feliz e equilibrada através da alimentação. Sem pretensão, sem culpa, com amor, e muita inspiração.

Mas afinal o que é ser saudável? Aquilo que cada um considera sinónimo de saúde varia bastante de uns para outros. Hoje colocamos o rótulo de saudável naquilo que queremos vender. Lembram-se do “Healthy, Fresh food” com que comecei este artigo? Era um ramen, com um caldo nada natural, uma coisa a boiar que se dava o nome de Naruto, uma espécie de delícia do mar japonesa, milho enlatado, e umas mais umas quantas coisas que me fizeram sentir suja e pesada no final da refeição. Not so healthy…Not so fresh…

Boa comida eleva-nos, equilibra-nos. Sentimo-nos satisfeitos, tranquilos, plenos e agradecidos pela bênção no final da refeição.

A alimentação macrobiótica baseia-se na pirâmide abaixo:

Nos próximos artigos falar-te-ei de cada um.

Espero que ao longo deste caminho te possa inspirar um pouco. Para mim, a comida é uma forma de Amar. Espero conseguir levar-vos o meu Amor e inspiração. Que ele vos encha a vocês, e às vossas casas!

Abraço!
Alexandra
(instagram: @projetosaudepelaboca)

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