Fotos que Falam: Somos viajantes!

Podemos até ter percorrido poucos quilómetros de estrada, poucas milhas de céu ou mar, mas seremos sempre viajantes.

Acredito que a nossa viagem tenha começado na conceção.

Podemos escolher, aliás, podemos sempre escolher o que vemos através da nossa janela.

Escolher entre ser passageiro passivo, ou fazer parte ativa desta viagem que é a vida.

O céu está cinzento e vemos nele pinceladas de azul, ou o céu está azul e teimamos em adivinhar-lhe tempestades?

Um dia a transbordar de sonhos, outro, meros espetadores?

Um dia simples fios condutores, outro, parte integrante do Universo?

Um dia a chorar, outro, a rir?

Um dia mergulhados na solidão, outro na incessante procura de companhia?

Deixamo-nos tantas vezes assediar pela tristeza, numa selva de perguntas e medos. Entrincheirados em becos escuros, tentamos enganar a mudança, fazemos-lhe fintas, tentamos escapar-lhe. Como se a mudança, não fosse o que de mais certo existe!

E se acaso, uma ponte cai, mesmo à nossa frente?

Que fazemos?

Voltamos para trás?

Ficamos parados, à espera que alguém resolva o problema, ou apressamo-nos a construir nova ponte?

É que tudo o que precisamos, está ao alcance, basta espreitar para o nosso interior e ouvir os ecos do nosso mais ínfimo pedaço.

Esta viagem implica constantes alterações na paisagem exterior, mas arrisco a afirmar que a maior transformação ocorre na paisagem interior.

O tempo tantas vezes, longo, lento e teimoso, de repente parece ter passado em fuga desenfreada.

Os motivos de revolta ou tédio de hoje, podem ser amanhã nostalgia e saudade.

O trabalhador atarefado que inveja o tempo livre do reformado, é o mesmo que amanhã, já também ele retirado da vida ativa, deseja as rotinas e as correrias de ontem.

E enquanto seguimos pelo nosso trilho, vamos acumulando memórias, que se colam à nossa identidade.

Vejo-as a elas, às memórias como camisas que prendemos desajeitadamente por dentro das calças. À primeira oportunidade, soltam-se!

E que bom seria, se nos deixássemos perder nos detalhes, nas coisas simples que esta caminhada nos oferta.

Um dia Reis, outro sem chão?

E então?

É sinal que estamos vivamente vivos.

É sinal que mora gente dentro do nosso corpo.

Hoje sou rainha e o céu está limpo e azul, muito azul.

Obrigada!

Obrigada!

A viagem está linda.

Ângela Rego (Foto)
Paula Cristina Castanheira (Texto)

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