Marysol Camacho: Negamos o Amor Próprio em prol do Amor do Outro

«Toda forma de negação substitui o que existe pelo que não existe» UCDM*.

Isto quer dizer que quando o Amor prório não está presente e o seu lugar é ocupado pelo amor ao outro, na verdade deixamos de existir e, portanto, de estar Presentes na relação com o outro, daí que muitas relações com potencial para tudo dar certo não funcionem e terminem mesmo antes de começar, passamos a acamparmos no sofrimento e em relacionamentos de poder onde a sobrevivência e ganho de um implica a perda e sacrifício do outro.

O amor real e saudável não sacrifica, todos os envolvidos ganham. E Não há Amor externo a nós que preencha o vazio que deixa a falta do Amor próprio, salvo o teu Amor por ti.

Aí radica a grande diferença entre Amar e ser Amado, É Amar y SENTIR-NOS Amadas. O Outro nos pode amar muito mas, se NÓS não nos amamos, não seremos capazes nem de sentir, nem de acreditar nesse amor.   

Negar-te a prover-te a ti própria do amor que mereces só por ser quem és, a encher esse vazio que há em ti e que só tu podes encher, só tem 3 caminhos; ou te submetes, ou dominas, ou alternas entre um rol, em qualquer deles o resultado é sempre o mesmo PERDA e SOFRIMENTO.

O amor do outro e dele não é nosso, não substitui o amor que te deves a ti e quando não te amas quem comanda a tua vida são os teus medos, as tuas crenças limitadoras, no fundo acreditar que “sem ele” não estás completa e, portanto, que a tua felicidade depende do outro.

Esta negação acontece em cada um de nós Dentro, tu contigo, no nosso inconsciente e individual. E a manifestação do oposto, daquilo que negamos o Amor, é o que projetamos para FORA=Medo

O Outro passa a ser um Espelho nosso, distorcido, onde podemos observar de forma amplificada essas partes nossas que não aceitamos e que estão em oposição com a nossa essência. No fundo o Outro és TU.

Se trata de uma projecção psicológica da qual o nosso inconsciente se vale como um mecanismo de defesa e que nos leva a acreditar que “os outros” e não nós, são os responsáveis da nossa Negação; atribuindo-lhes assim a autoria da nossa própria negação, nossos sentimentos, pensamentos, crenças sobre nós próprios, até ações que em aparência são inaceitáveis para nós.

Como sabes quando se trata de um Espelho/projeção tua?

Quando nos toca, tanto pela positiva como pela negativa. Quando mexe com nós dentro, nos causa mal-estar, nos incomoda emocionalmente, quando nos sentimos ameaçados, a nossa mente emite um sinal de rejeição para o exterior projetando essas características fora, que atribuímos a uma situação, objetos e pessoas.

A nossa realidade interior é projetada no exterior sem filtro “ Como é Dentro é Fora”

Como não vamos receber de volta a mesma mensagem que enviamos?

Só podemos receber aquilo que damos por lei de Correspondência e Ressonância, não há de outra.

Por isso convém tomar consciência do que estamos a projetar no exterior, no outro, isso nos vai ajudar a descobrir como somos de verdade, a identificar desde que lugar estamos a DAR, e só há 2 lugares: Ou damos desde o AMOR o próprio ou damos desde o Medo e o desamor também próprios.

E para isso estão ai as nossas projeções/espelhos para ajudar-nos a identificar desde onde estamos a dar, que negamos e que aceitamos como nossas “verdades” em primeira instância e também  nós ajudam a completar-nos de forma equilibrada, toda vez que recuperamos e integramos o que é NOSSO.

Dito de outra forma, Se eu não me amo incondicionalmente, com toda a minha luz (dons e talentos), e todas a minhas sombras (“defeitos”, dúvidas, medos, meus fantasmas e dores), se não me amo COMPLETA, e acredito que sou uma meia-laranja a procura da outra metade, o mais certo é que termine esmagada, colocando-me em risco, que trate de armar relações impossíveis, procurando pessoas equivocadas, no lugar errado e com consequências muito equivocadas… este é o espelho de Negar-nos o amor próprio.

Há diferentes tipos de espelhos e há espelhos que podemos observar e identificar rapidamente, outros é preciso aprofundar em nós para poder identificar a sua origem e transcender-lo de raiz.

Quando não nos amamos incondicionalmente, a tendência é trocarmos o amor por medo e desamor, a nossa grandeza por falsa modéstia com todas as nossas máscaras,  o orgulho substitui a Humildade, o falso egoísmo a compaixão…Nos perdemos a nós próprias, negociamos o inegociável, e terminamos igualando o Amor a uma esmola, a migalhas que lhe são dadas a um Mendigo.

Acredito que o Jogo da Vida seja mesmo uma viagem da Demência a Sanidade, uma viagem do Medo ao Amor…e ambos devem ser muito fortes, um para impulsionar-nos, o outro o suficientemente apelativo para ir a por ele e alavancar-nos no Centro, na nossa essência, no nosso equilíbrio, aceitando, reconhecendo e completando-nos com ambos.

Estou ciente que Aceitarmos que isto seja A verdade não é fácil, pois implica que todos os ídolos, produto de uma criação que nasceu da nossa DEMÊNCIA, iriam cair em efeito domino, implica esvaziarmos a nossa lixeira interna, implica desapegarmos-nos, soltar o conhecido, o palpável o que podemos ver em aras de reconhecer o desconhecido, a benevolência que também há na incerteza, e como temos muito medo daquilo que não vemos, uma vez mais voltamos a negação da própria Vida, Vida esta que está em ti, que és TU, do nosso bem-estar, da nossa felicidade, dos nossos sonhos, de NÓS. E bora lá vamos voltar a repetir a mesma dança vezes sem conta a Sobreviver a ver se algum dia com muita sorte nossa Escolhemos dançar com o outro parceiro: Aquele que nos dá Vida, que exponencia, nos empodera e nos honra  no nosso melhor, o AMOR PRÓPRIO; este é sem sombra de dúvidas o melhor companheiro da nossa Vida. 

Como referi inicialmente não é fácilMas é a “facilidade” o que está em causa OU o que está em causa é a tua FELICIDADE, TU, A TUA VIDA?

A maioria das mulheres que atendo em consulta querem encontrar o Amor da sua Vida e o fator comum é que não o encontram não só por procurar no lugar errado, isto a pesar de ser comum a todas, não é por si só “relevante” o que realmente PRIMA e define os seus desencontros no amor é a falta de AMOR PROPRIO.

Nem todas estão dispostas a fazer um trabalho de transformação pessoal, para que esse amor lhes aconteça… só aquelas que se atrevem a fazê-lo o conseguem, porque só quando se faz o caminho que deve ser feito, isto é, o caminho do Auto-conhecimento, é que descobrem que verdadeiramente o amor que se professavam e diziam sentir por si próprias não era real, É justo, nesse momento quando estão prontas e dispostas a fazer o que é preciso fazer para que esse amor digno de si próprias simplesmente se manifeste nas suas vidas.

ATENÇÃO com isto: já vi e ouvi a muitas mulheres que acreditavam ter muito amor próprio e uma elevada auto-estima cair de joelhos perante o próprio auto-engano, posso confidenciar-vos que eu fui uma delas.

Dito isto acho justo disser que tanto um homem como uma mulher se apaixonam de forma saudável e honesta, quanto ANTES apreenda a amar-se a si próprio(a). Só assim podemos oferecer-lhe ao outro e receber em igualdade, momentos reais, honestos,plenos, íntegros e de qualidade.

É o AUTO-AMOR que cria e gera o AMOR pelo Outro.

Marysol Camacho

*(Nota do editor): UCDM é “Um Curso de Milagros”, em Português, “Um Curso em Milagres”.)

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