Mãos que mimam: Caça Sonhos

Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma.

O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.

O Homem é do tamanho do seu sonho

Livro do Desassossego – O livro de um sonhador para sonhadores – Fernando Pessoa

 

Acredita-se que os caça sonhos, são amuletos, com origem na cultura indígena norte-americana. Tinham o poder de separar os sonhos bons, dos sonhos maus. Purificavam as energias e traziam sabedoria e sorte a quem os possuía.

Durante a noite, o ar enche-se de sonhos bons e sonhos maus e os caça sonhos, ou filtros dos sonhos, têm a missão de afastar tudo o que sejam ruim.

Eles são em geral formados por um círculo, onde são amarrados vários fios que formam uma espécie de teia de aranha. Usa-se também colocar uma pena, debaixo da teia, que simboliza o ar e a respiração, elementos essenciais da vida. Outros adereços, com algum simbolismo, deverão igualmente ser colocado por debaixo da teia.

Os sonhos maus ficam preso na teia, enquanto os bons fluem livremente.

A tradição manda que se pendurem num local que receba luz solar. Desta forma, as más energias que ficaram presas na teia e ao receberam o sol, vão-se embora.

Depois de uma tarde em que, pela mão da querida Inês Ripamonti, viajei até este fantástico mundo dos Caça Sonhos, fiquei rendida e não mais parei.

E se nos deixarmos levar pela imaginação, criamos trabalhos, tão únicos, tão diferentes, tão apaixonantes…afinal são mesmo assim os sonhos, não são?

Criar um caça sonhos, afasta-nos dos problemas, descontrai e faz-nos sorrir!

Á minha primeira série, resolvi chamar-lhe:

Metamorfoses.

Porquê?

Porque aproveitei diversos materiais, transformando-os, dando-lhes nova vida. Porque são os sonhos que nos fazem mudar. Mesmo batendo o pé à mudança, ela está presente em todos nós. Muitas vezes subtil, tantas vezes abrupta e incompreendida, mas sempre certeira!

Diria que os materiais que podemos usar, são inumeráveis, simplesmente porque não há regras. Tal como os sonhos, é ir atrás da imaginação e do que tivermos à mão.

Usei ramos de vime entrelaçados e bastidores para bordados, em madeira, como aros.

Basculhei os cestos de costura da minha Mãe e trouxe de lá, linhas, lãs, restos de tecidos, botões, rendinhas e fitas de seda.

Desafiei a minha Mãe a procurar nas gavetas, paninhos de renda, feitos pacientemente com linha nº 20, há muitos, muitos anos atrás. Trouxeram-lhe recordações, muitas recordações.

Disse-lhe que lhes queria dar nova vida. Tão lindos, de que servem assim escondidos e quase esquecidos?

Logo a minha Mãe me confiou, uns quantos desses lindos naperons e assim, tenho agora a missão de lhes dar lugar de destaque. A montra, os meus caça sonhos!

E aqueles colares que se partem ou que já não gostamos? Já repararam nas continhas que podemos reaproveitar, dando-lhe nova oportunidade de brilhar?

As penas e as conchinhas, trouxe-as do ‘meu’ paraíso, a linda Ilha da Armona.

E com todos estes materiais, meti mãos à obra!

Podem forrar o aro, ou deixar a madeira visível. Podem também aproveitar aros que tenham sobrado de outras ‘vidas’.

Se optarem pela versão da teia, escolhem o fio, enrolam a quantidade que calculam necessária. Eu enrolei-o à volta de um pedaço de cartão. Para começar a teia dá-se um primeiro nó à volta do aro, puxa-se o fio para o lado, de maneira que fique junto ao aro e faça uma linha reta, depois por dentro dessa reta, passa-se a linha de cima para baixo e de seguida, puxa-se para cima, por forma a formar um nó a meio da reta inicial.

Deve-se tentar manter a mesma distância entre os nós e garantir que a linha está presa com uma das mãos, para não aliviar a tensão do fio. Vamos repetindo este processo, até chegar ao meio da teia. No final dá-se um nó bem firme e corta-se a ponta. A partir daqui, soltem a vossa veia criadora e usem-na sem limites.

No caso de usarem um paninho de renda, em substituição da teia, fixem-no ao aro e depois os passos são exatamente os mesmos.

Espero que gostem desta ideia, façam-nos para a vossa casa, para o vosso carro ou como um presente personalizado.

E não se esqueçam: Sonhar é condição necessária para ser feliz 🙂

 

 

 

Paula Cristina Castanheira

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