No tempo dos meus descobrimentos!

No meu tempo era assim!

Ai, no meu tempo não havia destas coisas!

No meu tempo isto, no meu tempo aquilo…..

Quem não ouviu já estas expressões?

Quem já não as proferiu por diversas vezes até?

E foi assim durante algum tempo, talvez tempo de mais, ou então terá sido assim, durante o tempo certo, o meu tempo certo!

Ter a perceção que o nosso tempo é este tempo presente, foi o presente de ontem e será o presente de amanhã, é uma descoberta fabulosa.

Não passamos de moda. Somos contemporâneos dos tempos que vivemos.

Não há fronteiras de datas, não há fronteiras de idades.

Sabemos, ou deveremos saber que as grandes mudanças são precedidas de grandes ‘terramotos’, que por caminhos tantas vezes tortuosos, derrubam muros atrás dos quais, tão incomodamente nos colocamos.

Andamos por vezes, anos e anos sufocados, amarrados, dentro de coletes de força e nem um esforço fazemos para nos libertar. E porquê? Talvez porque nos resignemos àquela condição, como se fosse a única possível, a que nos foi destinada, qual condenados!

Houve tempos em que até a forma como eu me vestia, denotava sinais claros, de resignação. Não vestia o que me fazia sentir bem, mas sim o que a sociedade me impunha (ou que eu achava que a sociedade me impunha), como sendo correto para a minha idade. Sentia-me tantas vezes desconfortável, mas ainda assim, lá seguia, sem questionar, sem pensar muito.

Por vezes precisamos olhar pelo retrovisor da nossa vida!

Depois deste desabafo, sinto-me francamente mais leve, obrigada por existirem e me lerem!

Introdução à parte, desabafo feito, avancemos sem medos por este caminho, o das minhas descobertas.

Dizia-se e ainda se diz, que os Descobrimentos deram novos mundos ao mundo. Estou em crer, que os tais mundos já existiam, aliás, talvez sempre lá tivessem estado, só ainda não eram conhecidos pelos europeus. Falamos de conhecimento ou de, o acrescentar às nossas vidas. Tudo é conhecimento se assim o desejarmos.

Sim também encontrei o Cabo das Tormentas, também já enfrentei tremelicantemente, muitos Adamastores e sei, que muitos cabos terei ainda para dobrar, mas quero aprender, quero descobrir cada dia, um pouco mais.

Talvez a primeira grande descoberta, tenha sido mesmo o Yoga! Era algo sobre o qual, já vagamente tinha ouvido falar. Sim, a vida traz-nos as pessoas certas ao nosso caminho, só que muitas vezes andamos desatentos, acreditem, sei do escrevo!

No início era tudo muito estranho, os Prana, os Ásanas, os Kriyás, o Pujá, os Mudrás, os Bandha, o Yoganidrá… mas transformou-se num caminho que iniciei e que nunca mais abandonei. Posso agora dizer que foi esta descoberta que me despertou para o autoconhecimento, que me levou de volta a mim e a uma forma de vida gratificante de partilha, união e harmonia. Hoje o yoga está presente todos os dias da minha existência.

Com o yoga veio de uma forma natural, a descoberta do vegetarianismo. E que Descoberta!

Sim, é possível sermos felizes com o que comemos, sem ingerir ‘bicho morto’. Assim entrei num mundo novo. O respeito pelos animais, pela natureza, vivendo de uma forma mais sustentável e saudável.

Mais tarde a descoberta do biológico, do que é melhor para a saúde, para o planeta levou-me a diversos workshops e palestras que me vieram enriquecer, nesta busca consciente de viver em maior harmonia com a Mãe Natureza.

Agora ao escrever, e talvez pela primeira vez, entenda melhor o encadeamento natural de todo este meu percurso.

O conhecimento é infinito, assim seja a nossa humildade para aprender todos os dias.

Com os novos hábitos alimentares, veio a descoberta pela cozinha. Gosto de cozinhar, de criar novos pratos, de adaptar, de partilhar.

É com enorme prazer que me entrego à cozinha e sem dúvida que para mim, funciona como terapia. Cozinhar acalma-me e solta-me o pensamento.

E a escrita? Talvez sempre tenho gostado de escrever, mas era algo que estava arrumado num canto recôndito dos meus dias. Voltou a mim, porque mais uma vez, apareceram as pessoas certas no meu caminho e eu estava atenta. Gosto de histórias, gostos das minhas personagens, vivem em mim, porque são bocadinhos de mim, encaixadas em Marias, Manéis, Antónios, Alices….é tão gratificante!

Não que pretenda agora virar escritora, mas o prazer que tiro da escrita, vale por si só. Os meus pontos de vista, são tão importantes, como os dos outros e talvez esta constatação me tenha ajudado a deixar livre a imaginação.

A curiosidade pela escrita, trouxe um despertar pelas palavras dos outros e agora ouço e leio com outra atenção, bebendo palavras e sentidos, que antes me passavam despercebidas. Ler um livro, é mais do que absorver uma história, é também uma fonte de grande aprendizagem.

Com um festival de yoga, veio um workshop de cosmética natural que me trouxe um mundo novo!

Descobrir que andei anos a fio, a colocar na minha pele, produtos de higiene e cosméticos, que traziam com eles, listas infindáveis de ingredientes desconhecidos e muitos deles perigosos, fez-me ter vontade de começar a preparar os meus sabões, os meus cremes hidratantes, bálsamos, pasta de dentes, esfoliantes, ambientadores e desodorizantes. Numa próxima etapa irei tentar os champôs e amaciadores de cabelo.

Sem dar por isso, estou quase autossuficiente. Claro, que este é um longo caminho de aprendizagem e descoberta, mas estou nele com enorme vontade e cheia de energia.

Perceber os benefícios e as propriedades de cada óleo vegetal, cada óleo essencial, cada conservante natural, cada manteiga, cada cera, cada planta, descobrir que posso preparar um creme completamente personalizado, é extraordinário.

Com a cosmética natural, veio o reaproveitamento das embalagens e assim posso reduzir a pegada ecológica. Não contribuo com mais micropartículas para os oceanos e não sou conivente com os testes em animais. Economicamente e apesar de um investimento inicial em utensílios e matéria-prima, consigo poupar muito dinheiro. Desvantagens? Hummm, não vejo nenhuma!

Não, não estamos condenados a vidas sem cor. Devemo-nos esta coisa maravilhosa da descoberta, do aprofundar do autoconhecimento, do aprender sempre mais e mais!

Ficaria aqui mais umas horas a escrever sobre outras descobertas, sim, porque existem muitas mais!

Hoje ficarei por aqui, mas os amanhãs que por aí virão, serão com certeza, novas oportunidades de descoberta.

Não desistam nunca de vocês, somos caixinhas encantadas de surpresas boas!

 

Paula Castanheira
Massamá, Julho 2018

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