O gato Tareco

Com um sol lindo e um dia de calor, o gato Tareco, sem nada para fazer, apenas lhe apetecia dormir. Deitou-se, enrolou a cauda à volta das patas, coisa que os gatos fazem quando se sentem confortáveis.

A dormir descansado, sonhava com ratos que fugiam à sua frente. Sonhava que a dona lhe trazia um prato cheio de comida. Ah! Comidinha apetitosa, cheirosa e linda.

Franziu o nariz, arrebitou as orelhas e colocou as antenas em estado de vigia – as antenas são os bigodes.

Corria e saltava no jardim que a dona tinha sempre arranjado. Escondeu-se num canteiro onde as margaridas abanavam as flores brancas.

Uma leve brisa passou. Afinal, era um sonho, porque abriu primeiro um olho, depois, ainda ensonado, abriu o outro. Mais uma vez, arrebitou os bigodes e estendeu uma pata, depois a outra. Arqueou o lombo a espreguiçar-se.

Olhou melhor, ainda cheio de preguiça e viu um pequeno rato que passava. Mas a preguiça era tanta que nem se mexeu. Chamou o rato:

– Eh! Tu aí. Anda cá.
– Isso era o que tu querias! Era já um belo almoço.
– Não te vou comer. Estive a sonhar com uma bonita perna de frango que a minha dona me trouxe num prato decorado de florinhas. Achas que comia um miserável ratinho tão pequeno?
– Boa conversa a tua. Não me fio em ti. És manhoso! Apanhas-me e com um pulo, lá vou eu. Tens as unhas muito afiadas.

O Tareco era manhoso, mas a preguiça era tanta que nem lhe apeteceu comer o ratinho. Olhou melhor e viu um animal indefeso. O rato gostava de conversar.

Sentou-se nas patinhas e, sem fugir do gato, contou-lhe que também esteve a dormir ao sol e sonhou com espigas de milho. O que aquilo era bom! Espigas cheias de grão! Tão bom!

O gato contou que dormia ao sol, mas quando lhe apetecia, tinha um sofá com um cobertor quentinho lá dentro de casa. Mas, conde gostava mesmo era o colo da dona. Enroscado, confortável. E, quando estava frio, acendiam a lareira e a um cantinho dormia e deliciava-se com o calor vindo dos troncos acesos.

– Tens uma vida melhor que a minha. Só saio quando tu dormes. Como apenas grãos que os teus donos guardam dentro de celeiro. Moro num buraco que construí.

Com um abanar de cauda, o gato foi para casa. O ratinho, todo contente, foi procurar mais uns grãos.

Natércia Martins

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