O fim da Competitividade

Desde cedo imaginei a Competitividade como algo bom.

Afinal de contas, ser competitivo exigia que mostrássemos o melhor de nós mesmos. O desejo de vencer o outro de forma justa, era exactamente um bom motivo para praticarmos a nossa excelência. Ao vencer, conquistamos um marco no nosso crescimento pessoal. Quando perdemos, devemos encarar como um estímulo de querer ser mais, ser melhor. Pelo menos, pareciam ideais simples para construir a nossa personalidade .

Quando jogamos em equipa, a competitividade aparece com outras formas. Nessa altura, fazemos parte de um Ser Colectivo e exigimos, não apenas de nós próprios, mas de quem faz parte da “nossa equipa”. Se, por um lado temos os líders que nos puxam e exigem de nós coisas que nem sequer sabíamos que podíamos fazer, por outro também estamos a exigir de quem está ainda em crescimento. E isso é tanto potênciador como perigoso para os que estão à nossa volta.

Tanto na forma individual como na colectiva, a competitividade força-nos a expôr uma boa porção dos nossos sentimentos mais íntimos. Aspectos da nossa personalidade que tantas vezes mascaramos e recalcamos, mas que surgem à tona em alturas de maior pressão. Acabamos por surpeender quem está à nossa volta (se não nos surpreendermos a nós próprios). “Não te imaginava assim!”, ouvimos à nossa volta. Mas somos, porque somos imperfeitos. Porque, mesmo quando não acreditamos nas nossas piores qualidades, elas estão lá, por tratar, à espera que um dia as reconheças e as abraces.

A competitividade pode trazer outra característica bem Humana. Quando queremos tanto vencer, que o que fazemos é limitar e prejudicar o adversário. A batota é a forma mais simples de vencer. Esta, não exige que nos tornemos em alguém melhor. Esta, apenas exige que tornes o teu adversário em alguém menor, alguém inferior. E, assim, pensamos que vencemos (ou achamos que sim).

Dita em boa verdade, eu nunca gostei de competir. Como era frequente perder, acabava por nem sequer competir. Era muito mais seguro e assim evitava as desilusões. O que eu não estava a considerar é que, ao evitar as desilusões, também estava a evitar as vitórias, as celebrações, o grito de vencedor que tanta sombra expurga de dentro de nós. Ao fazer isso, estava a limitar o meu próprio crescimento.

Mas o nosso crescimento não está ligado à competividade. Isso é apenas um meio para exigirmos mais de nós próprios (o verdadeiro catalizador do Crescimento Pessoal). É verdade que a competividade pode fazer surgir de dentro de nós capacidades que nem sequer imaginávamos que pudessemos ter. Precisamos para isso ter uma estrutura interna sólida, com bons princípios e, no mínimo, respeito por nós e pelos outros. É esta interacção, baseada no respeito e na exigência, que fomenta colectivamente o crescimento individual. Mas isso não é competitividade, é Colaboração. (Afinal, andei enganado todos estes anos!)

A qualidade positiva é a Colaboração que – à semelhança de tantas outras coisas boas – pode aparecer de muitas formas diferentes na nossa vida.

Voltando ao início do texto, Colaboração é acreditar que juntos conseguimos mais. E, se vemos alguém ao nosso lado que pode crescer, fomentamos esse crescimento porque acreditamos que – passo a redundância – “juntos conseguimos mais”.

É esta mesma qualidade que, quando trabalhamos em equipa (algo que aprendi tarde na minha vida), força-nos a exigir mais de quem está connosco. A exigir através do crescimento porque, mais uma vez, é feito com respeito. Respeito pelo outro, respeito por nós, respeito pelo colectivo ao qual nós próprios pertencemos.

E vou mais longe.
Colaboração não é subir uma arvore para ficarmos mais altos. É sermos parte dessa arvore porque, juntos, somos um Ser mais completo.

José Martins

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