A profunda essência da gratidão

A profunda essência da gratidão

Na semana que passou houve mais uma perda de pessoa querida que foi para o céu, e quando isto ocorre fico a pensar no que vivi com aquela pessoa, o que rimos e choramos, o efeito ou impacto que ela teve no meu caminho e vice-versa. Sim, porque isto é sempre rua de mão dupla, o dar e o receber.

Para culminar este processo, ontem terminou a 2º edição do curso da Harmonia Interior que facilito e, diga-se de passagem, que amo este trabalho. E a ideia geral era a gratidão… estivemos por quase 10 meses a trabalhar arduamente sobre os participantes, e então o impacto de cada um na vida do outro é só imenso. Mas sabe o que me surpreendeu ontem?

O impacto que se gera com coisas tão simples como um olhar, uma pergunta, um abraço, um silêncio… cada um de nós tem um efeito gigante no outro e isto nem sempre é claro para nós. Claro que como terapeuta e naturopata atendo as pessoas e tento dar o meu melhor para cada uma delas, embora nem todos tenham esta visão ou gostem da forma como trabalho. Mas estou ali, não para agradar, mas para ajudar, para dar o meu melhor. Então, quando alguém me diz que saiu do fundo do poço e que eu ajudei, eu penso em agradecer, agradecer a esta pessoa por ter se dado esta chance, agradecer aos meus professores com quem aprendi muitas formas de atuar e ajudar, agradecer a Deus que me permite acordar todos os dias e trabalhar, agradecer a família porque sem o apoio dela tudo era mais complicado. A gratidão brota em nós quando entendemos que não somos nós que o fazemos, que somos instrumentos do Universo e das necessidades. Sim, porque antes da resposta já havia uma pergunta, e é nesta pergunta que se encontra tudo.

Já parou para pensar no impacto que você tem na vida das pessoas, no impacto que os seus pais, avós, amigos, irmãos, cunhados, chefes e subalternos têm no Ser que é?

Todos os dias levo as minhas filhas ao colégio e caminhamos. Neste percurso há o senhor que limpa as ruas e que sempre o cumprimentamos, na primeira vez que o cumprimentei a minhas filhas ficaram a olhar e me perguntaram de onde eu o conhecia. Minha resposta, não o conheço, mas sou grata a ele por estar a fazer este trabalho que é tão importante para a nossa qualidade de vida. E a partir daquele dia elas sempre o cumprimentam, às vezes param um pouco para falar com o senhor e ele já as ajudou algumas vezes nos passeios que elas fazem com o cão que temos.

A vida é assim, dar o nosso melhor. E se o nosso melhor é um “bom dia”, que seja. Se for sorrir, que seja. Se for ouvir, que seja. Enfim, seja o que for, é bom de partilhar das nossas pessoas com os demais, mas sem estar à espera de retorno e sem expectativas. Fazer porque se quer fazer, e ponto.

Já parou para pensar no impacto que você tem na vida das pessoas, no impacto que os seus pais, avós, amigos, irmãos, cunhados, chefes e subalternos têm no Ser que é?

Quando falam sobre objetivos de vida, sobre ser feliz, sobre montes de coisas que podem até ser ótimas, mas onde faltam pragmatismo e ação, lembre-se de sorrir e cumprimentar quem lhe serve o café, quem abre a porta do elevador para que passe sem atropelos. Objetivo de vida é viver, é ser, é dar o que pode e abrir-se para receber também, porque um dia vai perceber que cada gesto seu fez a diferença no seu percurso e no percurso de quem sequer imaginou que pudesse afetar.

Então o tema hoje é mesmo a causa e efeito, a lei de física que se aprende no colégio, mas que na prática é o que a sua ação e escolha de hoje vai gerar como resultado amanhã.

Ontem fiquei horas a sentir-me tão, mas tão feliz, que só pensava em como posso transmitir isto. E então, lembrei que se escrevesse sobre este sentimento, poderia de alguma forma dar uma luz para quem o lesse pudesse a partir deste momento criar uma ação diferente. E melhor, pudesse olhar para o outro como parte de si mesmo e dar a ele seu sorriso, seu olhar… pudesse partilhar de si mesmo.

Não somos ilhas, somos gente, somos seres com tanto amor para dar que por vezes até morremos de ataques cardíacos. Precisamos de nos recordar, de como é dar, como é amar, como é Ser… precisamos de nos permitir viver e com tudo o que isto implica, porque errar e acertar fazem parte do processo, graças a Deus!

Nas vezes onde “erramos” ou nos “perdemos”, temos finalmente a chance de nos “curarmos”, de buscarmos por soluções e ajudas. Damos também a chance do outro de nos ajudar. Ninguém pode ser bom se o mal não existir, ninguém pode ser mal sem que o bom não venha ao de cima.

Então, seja o seu melhor, faça o seu melhor, não fique à espera que caia do céu, faça a sua parte e então confie. Que junho traga para todos nós a alegria do sol e do conviver.

Fica a minha gratidão aos que me desafiam a escrever e aos que leem o que escrevo.

Jaqueline Reyes

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